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Conheça a ex-prostituta que inspirou a atriz Letícia Colin, a Rosa, em ‘Segundo sol’

Antes de viver uma prostituta em “Segundo sol’’, Letícia Colin encontrou na paulista Gabriela Natália da Silva, de 28 anos, um modelo para compor a personagem Rosa. A fonte inspiradora, citada pela atriz quando a trama foi lançada, trouxe Gabriela de volta aos holofotes dos quais ela já era íntima, quando atendia pelo pseudônimo “Lola Benvenutti”. A moça ficou conhecida por publicar em um blog as experiências vividas em três anos como garota de programa.

— Sempre tive uma relação natural com o corpo. Cobrar por ele foi um elemento a mais, assim como dividir isso com as pessoas. Eu estava numa fase de libertação, seguia o lema “meu corpo, minhas regras’’ — lembra Gabriela, que abandonou o codinome e adotou o sobrenome do marido, o americano Gerald Blake Lee, cofundador da Azul Linhas Aéreas.

'Sempre tive uma relação natural com o corpo. Cobrar por ele foi um elemento a mais, assim como dividir isso com as pessoas', diz Gabriela
‘Sempre tive uma relação natural com o corpo. Cobrar por ele foi um elemento a mais, assim como dividir isso com as pessoas’, diz Gabriela Foto: reprodução

Não foram só as histórias inusitadas sobre a prostituição que chamaram a atenção do público de Gabriela, que soma mais de 36 mil seguidores em uma rede social. Sua bem-sucedida carreira universitária também impressiona. Formada em Letras pela Universidade Federal de São Carlos, ela agora é doutoranda pela Universidade Estadual Paulista. Apontada como sucessora de Bruna Surfistinha, já lançou dois livros sobre sua vida (“Por que os homens me procuram?’’ e “O prazer é todo nosso’’) e fala abertamente sobre os motivos que a levaram a fazer sexo por dinheiro: a curiosidade e o desejo de se sentir livre sexualmente. A imagem de prostituta bem-resolvida foi, inclusive, o que chamou a atenção de Letícia Colin.

— Muitas marcas ficam, e a do preconceito é a maior delas. Tenho orgulho do que vivi, mas pago um preço pelas escolhas. Depois de passar pela prostituição, ela é considerada em tudo o que se faz na vida — diz Gabriela.

Letícia Colin buscou inspiração na vida real para compor Rosa
Letícia Colin buscou inspiração na vida real para compor Rosa Foto: reprodução

Nem o casamento de quatro anos consegue escapar dos olhares de reprovação.

— Acham que o meu marido foi meu cliente, mas não foi. O fato de que eu expus a minha vida não dá o direito de invadirem todos os meus limites.

Vida real no horário nobre

Relação com a família

Enquanto Rosa luta para esconder dos pais a profissão, Gabriela conta que os seus sofreram ao saber: “Minha mãe se sentiu fracassada no papel dela, ainda que fosse escolha minha. A relação com meu pai até hoje não é boa’’.

Discriminação

Pouco estudiosa, Rosa ainda não vivenciou o preconceito em sala de aula. Gabriela já. Uma professora disse a colegas que não a convidaria para visitar a própria casa, porque ela poderia “roubar o marido”. Mulheres de alguns professores também reclamaram após eles aprovarem a aluna em suas disciplinas.

Ponto final

A personagem de Letícia está longe de abandonar a prostituição. Gabriela também já se viu dependente: “O papel de sedutora que criei para me libertar começou a me aprisionar em algum momento. Me senti refém e resolvi parar”.

Humanização

Gabriela acredita que “Segundo sol” pode ter um papel decisivo na imagem que o público tem das prostitutas: “É possível fazer as pessoas repensarem e olharem com mais carinho. Não é preciso tratar como escória, nem como princesa. É uma profissão com altos e baixos como qualquer outra. Só é tabu”.

Fonte:Extra

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