Polícia

PM acusado de matar jovem que carregava saco de pipoca no Borel é denunciado à Justiça

O Ministério Público do Rio denunciou o soldado Douglas Ferreira Zaia pelo assassinato do adolescente Jhonata Dalber Mattos Alves, de 16 anos, em junho de 2016, no Morro do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Na ocasião, Jhonata segurava um saco de pipocas que foi buscar na casa de um tio que mora na favela. As pipocas seriam levadas para a festa junina que aconteceria no dia seguinte na creche onde seu irmão mais novo, então com 4 anos, estudava.

O caso foi investigado pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do MP, que concluiu que Jhonata foi executado com um tiro na cabeça disparado pelo policial pelas costas, com uma pistola calibre .40. As promotoras que assinam a denúncia pediram à Justiça a suspensão do exercício da função policial e a cassação da autorização para porte de arma do soldado. “O crime foi cometido por motivo torpe, qual seja, ‘justiçamento abjeto’, uma vez que o denunciado acreditava estar a vítima envolvida com o tráfico”, escreveram as promotoras na denúncia. Atualmente, segundo a PM, o soldado segue na UPP Borel, mas faz apenas trabalhos burocráticos na unidade.

Jhonata cursava o 1º ano do Ensino Médio
Jhonata cursava o 1º ano do Ensino Médio Foto: Reprodução

Segundo o laudo de necrópsia do cadáver, a ferida da entrada da bala apresentava uma “orla de queimadura”, expressão usada por peritos em casos de disparos feitos à curta distância. O soldado Zaia, afirmou, em depoimento no dia do crime, que Jhonata teria apontado uma arma para ele. No entanto, nenhuma arma foi apreendida com a vítima.

A investigação ficou mais de um ano parada em delegacias e chegou ao MP devido à luta da mãe de Jhonata, Janaína Alves, de 34 anos. Nesse período, ela tentou dar sua versão do caso à Polícia Civil, sem sucesso. A mulher, então, se juntou a um grupo de mães de vítimas da violência no Rio que lutam para que os homicídios de seus filhos não fiquem impunes. No ano passado, após diversos protestos das mães em frente à sede do MP, o procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem determinou que todos os inquéritos de seus filhos — o de Jonatha entre eles — fossem para o Gaesp.

Mãe de Jonatha, Janaína, lutou pela elucidação do crime
Mãe de Jonatha, Janaína, lutou pela elucidação do crime
— A polícia não tinha nem apreendido o saco de pipocas que estava com meu filho. Tenho até hoje, na agenda escolar do meu filho mais novo, a anotação de que ele levaria pipocas para a festa junina. Guardei tudo até ser chamada para prestar depoimento no MP, em janeiro deste ano — conta Janaína, que se diz aliviada: — Eu só corri atrás de justiça porque sei que muitas mães se calaram antes de mim por medo. No dia do enterro do meu filho, prometi para mim mesma que correria atrás de justiça. Só assim vou ter um pouco de paz.

Jhonata havia completado o ensino fundamental na Escola municipal Araújo Porto Alegre, na Usina, e estava cursando o 1º ano do ensino médio no Colégio estadual Antônio Prado Júnior, na Praça da Bandeira. Ele não morava no Borel — vivia com a com a mãe, o padastro e quatro irmãos na Usina —, e só foi à favela a pedido da mãe para buscar as pipocas que seu irmão mais novo havia se comprometido a levar para a festa junina.

Reportagem do EXTRA denunciou o caso à época do crime

 

 

Fonte:Extra

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