Polícia

PM que confundiu macaco hidráulico com metralhadora e matou jovens volta a ter porte de arma

O sargento Carlos Fernando Dias Chaves, que responde pelo assassinato de dois jovens, na Pavuna, Zona Norte do Rio, após ter confundido um macaco hidráulico com uma submetralhadora, voltou a ter autorização de portar armas dois anos e meio depois do crime. No último dia 14, o juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal, indeferiu pedido da Defensoria Pública, que representa as famílias das vítimas, para suspender o porte de arma do agente.

Essa é a segunda vitória do sargento na Justiça em menos de um ano. Em 15 de dezembro do ano passado, o juiz Rafael Cavalcanti Cruz já havia determinado o retorno de Carlos Fernando aos quadros da corporação, mas somente em serviços burocráticos. Ele havia sido afastado do patrulhamento ostensivo e teve o porte de arma cassado por decisão da Justiça logo após o crime. O sargento, então, foi transferido do 41º BPM (Irajá), onde atuava na época do crime, para o 39º BPM (Belford Roxo), na Baixada Fluminense. Ele nunca foi preso pelos assassinatos.

Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios (DH), no momento em que foram assassinados, Thiago Dingo Guimarães, de 24 anos, e Jorge Lucas Martins Paes, de 17, estavam numa moto a caminho de uma oficina mecânica, onde devolveriam um macaco hidráulico que pegaram emprestado para ajudar um conhecido a consertar uma Kombi quebrada. O objeto ia no colo de Jorge. No trajeto, a dupla passou por duas viaturas do 41º BPM, que estavam no local em busca de uma carga roubada.

Jorge Lucas Martins Paes, de 17 anos, e Thiago Dingo Guimarães: mortos em blitz

No momento em que a moto passou pelos carros da polícia, o sargento, que ocupava o banco traseiro de uma das viaturas, desembarcou e atirou duas vezes em direção à dupla, pelas costas. Thiago, que trabalhava como mototaxista, e Jorge Lucas morreram na hora. Em depoimento à Justiça, Chaves admitiu que confundiu o macaco hidráulico com “uma submetralhadora” e que, naquele momento, acreditou que os policiais estavam “em eminente perigo”.

Carlos Fernando tinha 15 anos na PM quando puxou o gatilho. Durante sete anos, foi policial do Bope, onde fez “todos os cursos que o senhor possa imaginar”, conforme informou à Justiça um ano e oito meses depois do crime. Desde 2010, estava lotado no 41º BPM, onde integrava o GAT. Na ficha criminal do policial, a Delegacia de Homicídios (DH), responsável pela investigação do crime, levantou dez mortes em confrontos, registradas em nove delegacias diferentes da Zona Norte do Rio e da Baixada Fluminense.

Pais de Thiago Dingo não se conformam com PM em liberdade
Pais de Thiago Dingo não se conformam com PM em liberdade Foto: Alexandre Cassiano

Um ano e três meses antes do crime, o sargento foi atingido por um tiro de fuzil no pé esquerdo durante uma operação no Morro do Chapadão. Passou oito meses afastado da corporação e foi considerado apto a voltar ao patrulhamento pela Junta Médica da PM. “Eu trabalho sem metade do pé”, disse Carlos Fernando, em juízo.

As famílias das vítimas não se conformam com o fato de o agente estar em liberdade.

— A vida do policial segue normal. Ele comemora aniversário, Natal, teve almoço com a família na Páscoa. E a nossa? Ele destruiu — diz o pai de Thiago, Gilberto Lacerda Dingo, de 72 anos.

Fonte:Extra

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