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Argentina pega a Croácia e decide sua vida sob a cruz de Messi, ao mesmo tempo visto como salvador e vilão

A Argentina se preocupa com o aparente abatimento de Messi após o pênalti perdido contra a Islândia e tenta protegê-lo. Enquanto os números escancaram o tamanho de sua influência, o rendimento do time amplia a sensação de que ele é tudo o que a seleção tem. No entorno da equipe, convivem a crença cega de que o camisa 10 será capaz de decidir, ainda que sozinho, e a cobrança recorrente sempre que suas intervenções não resultam salvadoras. É com este cenário que os sul-americanos pegam a Croácia hoje, às 15h (de Brasília), pelo Grupo D.

— Quando Messi faz gol com a camisa argentina, gritamos todos e nos sentimos parte. Quando não faz, não ganhamos, a culpa é dele. É muito cômodo para todos que apenas um jogador tenha responsabilidade. Ele é o melhor do mundo, pode mudar um jogo, mas não pode ser responsável por um fracasso — disse o técnico da seleção argentina, Jorge Sampaoli.

Para o confronto de hoje, a Argentina poderá ter até três modificações. Uma nova escalação que talvez coloque ainda mais peso sobre Messi. Duas delas estão praticamente certas. O meia Acuña e o atacante Pavón nos lugares de Biglia e Di María, respectivamente.

— Você precisa se adaptar à realidade e, aos poucos, implantar sua forma de jogar. Mais do que o sistema tático, o importante é o estilo: ficar o máximo com a bola e pressionar para recuperá-la rapidamente — disse Sampaoli.

Pelo lado croata, o técnico Zlatko Dalic não tem problemas. Jogador que deverá ficar responsável pela marcação de Messi, Badelj se diz pronto para o desafio:

— De acordo com a minha posição, eu vou ter que encarar o Messi. Já vi muitos jogos dele e farei o máximo para neutralizá-lo. O objetivo é ajudar a nossa seleção a conseguir um bom resultado.

Várias funções no jogo

O jogo com a Islândia foi a imagem de Messi assumindo todo tipo de funções. Dos 718 passes que a Argentina trocou, ele foi a origem ou o destino de 141. Ou seja, quase 20%, uma participação inferior apenas à de Mascherano, que iniciava as jogadas ao receber a bola da defesa.

Um gráfico que divide o campo em 18 quadrantes mostra que Messi recebeu passes em 12 deles ao longo do jogo de estreia. Nenhum jogador o fez em uma área maior do gramado. Só não foi buscar a bola nos 30 metros mais próximos do gol defendido por Caballero. E foi Messi o responsável por 11 das 26 finalizações do time.

Companheiro de Messi no Barcelona, o croata Rakitic vê uma armadilha escondida por trás da falha do astro diante da Islândia.

— Ele chutou oito, nove bolas no gol. Teve o pênalti, o gol não saiu. Vai ser bem mais difícil enfrentá-lo. É o melhor jogador do mundo e só com o jogo perfeito vamos pará-lo — disse o meia, que na seleção é companheiro de Modric, habitual rival no Real Madrid: — Se pudesse, teria Modric e Messi sempre comigo.

 

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