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Família tenta provar que motorista de aplicativo foi preso por engano

A família do motorista de aplicativo Antonio Carlos Rodrigues Junior, de 43 anos, tenta provar na Justiça que ele foi preso por engano. Na manhã da última sexta-feira, ele se preparava para trabalhar quando policiais da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat) chegaram em sua residência na Glória, Zona Sul do Rio, e o levaram para a delegacia para que prestasse esclarecimentos sobre uma foto no Facebook. Ele acabou preso.

Segundo a esposa de Antonio, Ingrid da Silva, de 25 anos, ‘Prw’, como é conhecido pelos amigos, está sendo acusado de ter participado de um assalto ao cônsul geral da Venezuela dentro de um prédio na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, no dia 6 de junho. O diplomata reconheceu Antonio como um dos autores do crime.

De acordo com o inquérito policial, o cônsul foi roubado dentro do elevador do prédio por três homens, um deles armado. Na ação, os assaltantes levaram a bolsa onde estava o salário da mulher do diplomata, no valor de 4.900 euros, que ele tinha acabado de sacar no banco. O crime foi registrado pelas imagens do circuito interno do prédio.

Família tenta provar que motorista de aplicativo foi preso por engano
Família tenta provar que motorista de aplicativo foi preso por engano

A esposa de Antonio contou ainda que, no dia do roubo, ele enviou uma imagem com a localização de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, pelo celular.

— Nesse mesmo dia, por volta 13h30 o meu esposo me mandou uma localização em Manguinhos. Ele estava trabalhando no aplicativo. O meu marido sempre me mandava a localização ainda mais quando passava por área de risco — contou Ingrid, que tem um relacionamento há seis anos com o motorista.

Localização enviada por Antonio à esposa no dia do crime
Localização enviada por Antonio à esposa no dia do crime

Desde a última segunda-feira, quando o cônsul venezuelano reconheceu Antonio como autor do crime, sua família e advogados lutam para provar que houve um engano. Eles argumentam que o motorista não é o homem que aparece em imagens do circuito interno do prédio. Nas redes sociais, amigos se mobilizam pela sua libertação.

— Na segunda-feira, a vítima foi na delegacia para reconhecer e afirmou que era o meu marido que tinha cometido o roubo. Mas tem um outro preso lá, que disse que não era meu esposo, mas também não entregou o comparsa dele. Na filmagem é nítido que não é meu marido — afirmou a Ingrid.

Na terça-feira, ele foi transferido para o presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio. A defesa de Antonio irá fazer um pedido de revogação da prisão. Segundo a advogada Mitsi Rocha Fidelis, a vítima reconheceu o motorista na delegacia de forma irregular e não teria sido permitida a presença do advogado. Além disso, Fidelis argumenta que o homem que teria as mesmas características de Antonio está preso.

— A tese é que ele estava trabalhando na hora do roubo. Conforme consta no histórico do aplicativo, assim como quem assiste aos diversos vídeos anexados ao processo percebe nitidamente que não se trata da mesma pessoa. Primeiro que o verdadeiro ladrão (vulgo “Cabeça”) já está preso. Segundo, o outro acusado também preso disse em sede policial que não conhece o Antonio Carlos. Em terceiro, a vítima apesar de ter reconhecido ele no momento da declaração na delegacia disse que o assaltante é de cor parda e baixo, e o Antonio Carlos é alto e negro. — concluiu.

Amigos compartilham nas redes fotos do autor do crime e comparam com Antonio
Amigos compartilham nas redes fotos do autor do crime e comparam com Antonio Foto: Reprodução

O EXTRA procurou uma advogada para comentar se o reconhecimento por foto seria válido. Segundo Rachel Glatt, “baseado no artigo 226, quem cabe a fazer o reconhecimento é a vítima”, No entanto, no relatório policial, quem estava fazendo o reconhecimento era uma inspetora.

— Lógico que os policiais têm o dever de investigar, de procurar saber quem são os autores. Mas eles têm que levar a pessoa na delegacia e colocar ao lado de outras que têm características semelhantes e a vítima fazer o reconhecimento. Alguns tribunais tem decidido que o reconhecimento pode ser por foto e têm alguns ministros que entendem que teriam que ser observados os mesmos requisitos do artigo 226, ou seja, fotos de várias pessoas semelhantes e a vítima apontar quem foi — explicou Rachel.

Nas redes sociais, diversas publicações sobre a prisão de Antonio têm sido compartilhadas. Amigos estão indignados com o caso.

A Polícia Civil informou que o caso está sob sigilo. De acordo com a delegada Valéria Aragão, titular da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat), a investigação ainda está em andamento e o inquérito é sigiloso. Ela ressaltou que não vai se pronunciar sobre o caso. Através da assessoria, a Seap não se pronunciou. O Ministério Público também foi procurado, mas não retornou até a publicação desta reportagem.

 

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