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Ministra da Alemanha vê como ‘alarmante’ a decisão de Özil de deixar a seleção

A ministra de Justiça da Alemanha, Katarina Barley, chamou de “alarmante” a decisão do meia Mesut Özil de deixar a seleção. Em seu perfil no Twitter, Barley citou o motivo a explicação dada pelo campeão mundial de 2014 para não vestir mais a camisa do seu país, que foi o racismo porque ele é filho de turcos.

“É um sinal alarmante que um grande jogador como Özil não sinta querido em seu país e representando a DFB por racismo”, escreveu a ministra, após as críticas lançadas pelo jogador ao presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Reinhard Grindel.

Özil anunciou no domingo a sua decisão de retirar-se da seleção, em um comunicado enviado em três partes pelo Twitter. O meia do Arsenal afirmou que para Grindel e sua cúpula de um jogador de origem imigrante como ele só aceito quando você ganha, mas não quando se perde.

O atleta de 29 anos, que foi apontado como um dos culpados pela eliminação da equipe ainda na primeira fase da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, acusou a federação de não o aceitar como alemão, apesar de ele ter vencido o Mundial de 2014, no Brasil, para o país onde nasceu.

“Eu tenho dois corações, um alemão e um turco. Eu nasci e estudei na Alemanha. Por que existem pessoas que ainda não aceitam que eu sou alemão”, perguntou meio-campista.

Özil foi bem criticado por seu encontro com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que foi acusado de violações de direitos humanos. O registro gerou uma polêmica acirrada na Alemanha e entendido como um apoio do jogador para a campanha de a reeleição do atual chefe de estado.

O armador do Arsenal tem ascendência turca e defendeu suas ações em uma declaração longa, na primeira vez em que abordou publicamente o assunto.

A carta na íntegra:

Para mim, ter uma foto com o presidente Erdogan não era sobre política ou eleições, era sobre eu respeitar o cargo mais alto do país da minha família. Meu trabalho é como jogador de futebol e não como político, e nosso encontro não foi um endosso de nenhuma política.

O tratamento que recebi da DFB (Federação Alemã de Futebol) e muitos outros me faz não querer mais usar a camisa da seleção alemã. Sinto-me indesejado e penso que o que eu conquistei desde a minha estreia pela seleção em 2009 foi esquecido.

As pessoas com histórico de discriminação racial não deveriam poder trabalhar na maior federação de futebol do mundo que tem jogadores de famílias de herança dupla. Atitudes como a deles simplesmente não refletem os jogadores que supostamente representam.

É com o coração pesado e depois de muita consideração que, devido aos recentes acontecimentos, deixarei de jogar pela Alemanha a nível internacional, enquanto tenho este sentimento de racismo e desrespeito. Eu costumava usar a camisa alemã com tanto orgulho e emoção, mas agora não o faço“.

Özil foi tão pronunciada pela primeira vez após a comoção causada um e meio por uma fotografia que apareceu ao lado do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, uma questão que gerou uma polêmica acirrada na Alemanha entendido como apoio para a campanha isso faz para a reeleição.

O jogador explicou agora decidiu tomar essa imagem, porque não fazê-lo teria sido interpretada como uma “falta de respeito” por suas “raízes turcas”, acrescentando que “retorno” para fazê-lo.

“Para mim, tirar uma foto com o presidente Erdogan não tem nada a ver com política ou eleições, mas com respeito pelo mais alto cargo no país da minha família”, disse ele.

A polêmica em torno da foto acompanhou Özil durante toda a Copa do Mundo na Rússia e persistiu após a eliminação precoce da equipe alemã, que defendeu o título, na fase de grupos.

A renúncia do meio-campista desencadeada, em paralelo, uma enxurrada de críticas da cúpula Federal, e fortemente questionada pelo papel mal da Alemanha na Rússia.

Há poucos dias, o Presidente do Conselho do Bayern de Munique, Karl-Heinz Rummenigge, e criticou Grindel, que ele descreveu como incompetente.

Hoje, exportavoz DFB, Harald Stenger disse Grindel é “o pior presidente na história federativa”, disse à ZDF televisão pública e senti que era hora de substituí-lo, independentemente do caso Özil.

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