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MULHERES LOTAM OAB/MA EM DEFESA DA IGUALDADE DE GÊNERO NA II EDIÇÃO DO “ENTRE ELAS”

Mais uma noite marcada pelo sucesso de público durante a realização da II edição do Workshop “Entre Elas”, ocorrido esta semana na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Maranhão (OAB/MA), promovido pela Comissão da Mulher e da Advogada da Ordem. O encontro abordou e debateu pautas afirmativas entre as advogadas e mulheres representantes da sociedade civil, além de promover o compartilhamento de conhecimento, bem como de avanços que as levem à igualdade no mercado de trabalho e garantias dos seus direitos.

A presidente da Comissão da Mulher e da Advogada da OAB/MA, Ananda Farias, falou da importância de manter o foco na formação política e profissional das advogadas, tendo em vista que as comissões são como a ‘porta de entrada’ da Ordem dos Advogados. “Apenas com o verdadeiro conhecimento do nosso papel político na sociedade é que fortalecemos elos e nos tornamos protagonistas no processo. Por isso, defendemos tanto a formação, pois é a partir desta que as mulheres ganham força e poder na defesa de seus direitos”, afirmou.

Discorrendo sobre “A importância da vida acadêmica na formação intelectual das mulheres”, a advogada, mestre e doutora, professora do curso de Direito da Universidade Estadual do Maranhão, da UNDB e da Faculdade Estácio de Sá, Heloísa Gomes Medeiros, que também atua na área de propriedade intelectual, abriu os debates da noite pontuando sobre a introdução das mulheres em carreiras estereotipadas como masculinas pela sociedade. “Nós temos cada vez mulheres ascendendo na academia, mas muito voltadas para as ciências humanas. Nas ciências exatas nós temos uma defasagem muito grande. E o que eu trouxe hoje são dados para a reflexão do motivo que isso vem acontecendo”, complementou.

Com um dos temas mais atuais, de repercussão nacional e até mesmo mundial, a delegada de Polícia Civil e chefe do Departamento de Feminicídio do Maranhão, Viviane Azambuja, colocou em debate o tema “Descontruir o machismo para prevenir o feminicídio”. “A nossa exposição abrangeu o machismo. A gente foi verificando durante todas as investigações de mortes violentas de mulheres ocasionadas por motivações com o cunho 100% machista. Então, a ideia é utilizar ações que estimulem a educação para que alcancemos essas mudanças culturais da nossa sociedade, acabando com o machismo”, explicou.

A terceira palestrante da noite foi a advogada, mestranda em Direito e Instituições do Sistema de Justiça da Universidade Federal do Maranhão (PPGDIR/UFMA), assessora da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular e integrante do movimento Yalodê de Mulheres Negras, Amanda Costa, que ministrou a palestra sobre “Violência e Resistência no Cotidiano da Mulher Negra”. “Eu trouxe para esse encontro a proposta de trabalhar a mulher em suas diferentes possibilidades. Hoje eu falo sobre a situação da mulher negra na sociedade e quais os desafios específicos desse segmentos, colocando em questão a situação da mulheres negras”, classificou Amanda Costa.

Com a temática “Eu também sou mulher”, a advogada Priscilla Selares, integrante da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/MA, responsável pela coordenação do Fórum Metropolitano de Entidades de Pessoas com Deficiências e Patologias, coordenadora do coletivo de Mulheres com Deficiência do Estado do Maranhão, e coordenadora jurídica do Movimento Brasileiro de Mulheres Cegas e com baixa visão, especificou a questão da invisibilidade na sociedade da mulher com deficiência. “Hoje a gente tratou sobre a problemática que está dentro do próprio segmento de mulheres e ao mesmo tempo algumas especificidades das mulheres dentro das políticas públicas elaboradas para a gente de modo em geral”, relatou.

Encerrando a programação, a doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, autora do livro “O Negro na biblioteca”, Francilene Cardoso, abordou o tema: “Para quê o pensamento feminista?”, levou ao público um pouco de sua experiência em pesquisas e de sua vida profissional. “O que organizamos aqui foram reflexões sobre o que é o feminismo e os feminismos negros. Existem correntes de feminismos e de feminismos negros, lutas voltadas para as demandas das mulheres negras. Eu apresentei alguns fundamentos para mostrar as desigualdades raciais e sociais. Nesse contexto, mostramos como essa desigualdade se expressa na vida das mulheres negras. É uma conversa sobre o lugar da mulher negra na sociedade, de que forma essa sociedade se comporta”, enfatizou.

Por fim, a presidente da Comissão encerrou o evento, pontuando números alarmantes, como o de que apenas 50% das mulheres em idade de trabalhar estão representadas na população economicamente ativa no mundo. “Os dados mostram que conforme maiores os índices de desigualdade de gênero, proporcionalmente elevados são os casos de violência em decorrência do sexo. Em suma, o Brasil é o quinto país que mais mata mulheres, e para que consigamos diminuir estes números alarmantes de violência, precisamos escassear este cenário de tamanha desigualdade”, finalizou Ananda Farias.

 

Fonte:Oabma.

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