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Marielle Franco é destaque de campanha por direitos humanos da Anistia Internacional

A vereadora Marielle Franco, assassinada em março deste ano no Rio de Janeiro, é destaque da maior campanha global por direitos humanos promovida pela Anistia Internacional. A Escreva por Direitos (Write for Rights, em inglês) tem, neste ano, foco em mulheres, gênero e em defensoras de direitos humanos. O destaque, segundo a instituição, é para mostrar que discriminação, abuso, intimidação e violência afetam de forma desproporcional as mulheres e, em particular, as que se posicionam publicamente na sociedade, como ocorreu com Marielle, reconhecida defensora de direitos humanos.

Nove dos dez casos escolhidos são de mulheres ativistas, e o décimo é de uma comunidade no Quênia, cujas mulheres estão sendo impactadas pela expulsão de suas terras ancestrais. Além de Quênia e Brasil, há casos da Ucrânia, Marrocos, Venezuela, África do Sul, Quirguistão, Irã, Índia e Vietnã. Com exceção de Marielle Franco, assassinada há sete meses, as mulheres e ativistas que fazem parte da campanha seguem atuando em seus países, muitas em situação de risco. A campanha irá mobilizar pessoas no mundo todo em apoio a estas mulheres, dando visibilidade aos casos e celebrando o papel dessas ativistas.

Campanha vai durar cinco meses

Neste ano, a campanha da Anistia Internacional vai durar cinco meses, iniciando oficialmente nesta quarta-feira. O término vai ocorrer no dia 8 de março de 2019, Dia Internacional da Mulher. O processo vai envolver apoiadores e apoiadoras da Anistia Internacional, profissionais da educação e grupos de ativismo na realização de atividades, que podem ser desde uma aula temática em uma escola até um evento público em uma praça ou café. Os eventos serão registrados através da Plataforma Escreva por Direitos (www.escrevapordireitos.anistia.org.br), onde é possível também ter mais detalhes de cada caso.

A campanha Escreva por Direitos incentiva a organização de atividades em escolas como parte do processo de formação e conhecimento das pessoas sobre seus próprios direitos. A Anistia Internacional vai disponibilizar digitalmente um Guia de Atividades para Educação em Direitos Humanos abordando seis dos 10 casos escolhidos, entre eles o de Marielle Franco. O documento será divulgado online e nas redes sociais, e foi elaborado especialmente para uso de profissionais da educação, assistentes sociais e agentes comunitários. Em 2017, mais de 23 mil educadores tiveram acesso a material similar e relataram que o uso foi de grande utilidade na condução de atividades educacionais dentro e fora da escola.

— Fico feliz de saber que a vida de minha filha Marielle Franco vai servir de exemplo para as crianças do Brasil e do mundo. Marielle sempre liderou processos transformadores na escola, na igreja, nos projetos em que participou, sempre com o pensamento de ajudar o próximo, acreditando que a organização coletiva de base solidária poderia transformar o mundo. Ao fazer pelo outro ela se sentia bem. Esperamos que mais pessoas sejam assim e lutem como a minha filha pelos direitos humanos — disse Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco.

Início da campanha

A campanha começou em 2001, quando um pequeno grupo de ativistas da Anistia Internacional na Polônia decidiu apostar quem escreveria o maior número de cartas pela libertação de pessoas presas injustamente em diversos países. A iniciativa durou 10 dias, gerou milhares de cartas, e essas cartas fizeram uma grande diferença ao pressionar as autoridades. Nos anos seguintes, a Maratona tomou proporções globais e se tornou a campanha mais importante da Anistia Internacional e o maior evento de direitos humanos do mundo.

A organização seleciona, todos os anos, casos de pessoas e comunidades vítimas de violações de direitos humanos ou em risco iminente de sofrer violações ao redor do mundo, e convida apoiadores, apoiadoras e ativistas a entrarem em ação por esses casos. Atendendo ao chamado de ação e solidariedade global, pessoas planejam e realizam atividades diversas, mobilizando suas comunidades, suas famílias, seus amigos e amigas, a escreverem e assinarem cartas, manifestando solidariedade e pressionando as autoridades por justiça.

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