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SOBRE O PERSONAGEM QUE OS CAPITALISTAS PRECISAM

Antes de tudo o Bolsonaro é um imbecil, que nunca foi levado a sério, nem nas forças armadas. Ele só é confiável para o “mercado” (a burguesia, como se dizia não tão antigamente assim) se terceirizar todas as decisões estratégicas do seu eventual governo, ficando apenas com pautas secundárias para despejar as suas bravatas e lançar factóides à opinião pública.

Essa é a leitura dos agentes econômicos relevantes que estão pagando a conta da campanha dele. O problema (para eles) é que o Bolsonaro é despreparado até pra entender isso, o que coloca um horizonte de imprevisibilidade e incerteza para os “investidores” (os capitalistas).

Ademais, o sujeito não tem base política sólida (o tal do PSL é um fenômeno de ocasião, sem consistência programática). Por outro lado, o Bolsonaro carrega um ranço autoritário que é constitutivo da sua figura pública, do qual ele não pode abrir mão sem negar a si próprio. E é esse ranço que gera uma reação contrária a ele que é socialmente plural e internacionalmente consensual até agora.

Em suma, o sujeito só convence de fato os fanáticos que o seguem. Os capitalistas o estão utilizando agora, mas já o precificaram, estabelecendo como prazo de validade a execução das reformas neoliberais (o pacote de maldades contra o povo e contra o patrimônio nacional, ao estilo terapia de choque – um ou dois anos, no máximo).

Depois disso, o sujeito será dispensável. A incerteza (para todos) consiste em que, depois de aberta a caixa de Pandora, os demônios não voltam a ela facilmente e, como diz a lei de Murphy, nada é tão ruim que não possa piorar mais.

João Márcio Mendes Pereira

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