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Mãe de Marielle Franco participa de ato contra a violência, em Goiânia: ‘A voz dela não se cala’

Mãe da vereadora Marielle Franco, assassinada há mais de um ano no Rio de Janeiro, a advogada Marinete Silva participa de um ato contra a violência na tarde desta segunda-feira (20), em Goiânia. Ela falou sobre a investigação do crime, que também vitimou o motorista Anderson Gomes, e da importância em manter vivo o legado da filha na luta pelos direitos humanos.

“A voz da Marielle não se cala. A Marielle hoje transcende. Ela virou um símbolo de resistência dentro e fora do Brasil. Várias países estão encampando esse projeto de lutar por justiça. Vamos continuar com o legado dela porque ela merece”, afirma.

Marinete Silva afirmou que a ideia é participar de alguns eventos no país para lutar contra o “genocídio” contra pessoas negras e pobre no Rio de Janeiro e em várias estados do Brasil.

Marinete Silva, mãe da vereadora assassinada Marielle Franco, participa de ato contra a violência, em Goiânia, Goiás — Foto: Sílvio Túlio/G1

Marinete Silva, mãe da vereadora assassinada Marielle Franco, participa de ato contra a violência, em Goiânia, Goiás — Foto: Sílvio Túlio/G1

O evento integra o 4º Encontro da Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado. Várias mulheres cujos filhos foram mortos vítimas de violência participam da mobilização. Com cartazes, faixas e fotos, eles se concentram na Praça do Trabalhador e pretendem subir em caminhada pela Avenida Goiás até a Praça Cívica.

Cerca de 80 pessoas participam do ato. Por volta das 15h30, os manifestantes começaram a fazer uma passeata pela avenida Goiás, acompanhados de um carro de som. Eles carregam faixas e gritam palavras de ordem. O trânsito é controlado por agente da Secretaria Municipal de Trânsito Transporte e Mobilidade (SMT).

Mulheres de Goiás e vários outros estados do país se revezam ao microfone e relatam que os filhos foram assassinados em episódios de violência. Elas também gritam por justiça.

Manifestantes participam de ato contra violência, em Goiânia, Goiás — Foto: Sílvio Túlio/G1

Manifestantes participam de ato contra violência, em Goiânia, Goiás — Foto: Sílvio Túlio/G1

Investigações

A advogada comentou sobre as investigações do assassinato da filha, morta a tiros dentro de um carro na Região Central do Rio, no dia 14 de março de 2018. Além da vereadora, o motorista do veículo, Anderson Pedro Gomes, também foi baleado e morreu.

Na data do crime, Marielle havia participado no início da noite de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Rua dos Inválidos, na Lapa. No momento do crime, a vereadora estava no banco de trás do carro, no lado do carona.

Marielle Franco, em foto de fevereiro de 2018 — Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio de Janeiro/AFP/Arquivo

Marielle Franco, em foto de fevereiro de 2018 — Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio de Janeiro/AFP/Arquivo

Segundo Marinete Silva, a polícia está trabalhando para elucidar o crime, mas o avanço no caso depende de um “fato novo” ou da delação dos dois homens já presos suspeitos do crime.

“Essa segunda etapa é bem mais complicada. Está dependendo da relação daqueles caras que foram presos e supostamente cometeram o ato ou algum fato novo. Mas eles estão trabalhando sim. Infelizmente estamos vivendo um processo moroso e complicado, mas a investigação continua. Dia 7 de junho tem uma audiência e estamos esperando algum fato novo”, afirmou.

Manifestantes se reúnem em ato contra violência, em Goiânia, Goiás — Foto: Sílvio Túlio/G1

Manifestantes se reúnem em ato contra violência, em Goiânia, Goiás — Foto: Sílvio Túlio/G1

A advogada também desabafou sobre o fato de, passado mais de um ano da morte da filha, não saber a motivação do crime.

“A sensação é bem ruim. O que motiva alguém a fazer isso com qualquer pessoa? A Marielle era uma mulher negra, uma ativista. A sensação é que as coisas ainda não chegaram ao fim e não vão chegar até que a gente saiba quem e porque mandaram matar minha filha”, lamentou.

Fonte:G1

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