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Xuxa Meneghel relata abusos sexuais que sofreu dos 4 aos 13 anos

Entre os abusadores, parentes, amigos da família e até professores: “Hoje, quero emprestar minha voz em campanhas paras crianças que não falam, não gritam e choram sozinhas. Eu preciso fazer isso por elas, já que não fiz por mim”, afirma a apresentadora

Em um texto corajoso e revelador, a apresentadora Xuxa Meneghel fez um relato extenso de alguns dos abusos sexuais que sofreu durante a infância e o início da adolescência. Em outras ocasiões e entrevistas, a apresentadora já tinha contado sobre alguns desses momentos, mas na Coluna da Xuxa publicada nesta segunda (25) no site da Vogue, a apresentadora relembra “um episódio que é o mais difícil que vivi nos meus 56 anos”.

De acordo com Xuxa, os abusos começaram cedo, quando ela tinha 4 anos e ainda morava no Rio Grande do Sul. Ela conta que sua mãe costumava colocar edredom no chão depois do almoço para que as crianças da casa pudessem cochilar. Como a mãe dava para os filhos um elixir para abrir o apetite – que continha álcool – e a apresentadora conta que é intolerante à substância (até hoje), ela dormia mais profundamente que os irmãos. E era aí que os abusos aconteciam.

“Por que eu fui a escolhida? Não sei, mas me lembro de um cheiro de álcool de alguém, uma barba que machucou o meu rosto e algo que foi colocado na minha boca. Acordei dizendo que alguém tinha feito xixi na minha boca e meus irmãos disseram que eu tinha sonhado”, conta Xuxa, que diz que não lembra bem desses episódios, mas que os abusos não pararam por aí.

Mais tarde, com 5 ou 6 anos, Xuxa conta que andava bastante na Kombi de família, e todas as crianças iam atrás – incluindo os mais velhos, que eram pré-adolescentes, primos de segundo grau e amigos muito próximos da família. “Sentia tocarem em mim, colocavam o dedo, doía, não sabia distinguir o que sentia, por isso não chorava e nem reclamava com ninguém sobre o acontecido”. A mesma pessoa que tocava Xuxa no carro, anos mais tarde,  “colocava seus dedos por debaixo dos lençóis e me tocava” quando a apresentadora já tinha entre 9 e 10 anos, e morava no Rio.

No ano seguinte, um professor de matemática “que atendia pelo nome de Mauricio” disse à Xuxa e uma amiga que “queria me deixar só de calcinha e colocar nas minhas coxas”, e em seguida se masturbou na frente das crianças. “Ele disse (…) que se eu falasse pra alguém sobre o que eu tinha visto ou o que ele havia falado: ‘ninguém iria acreditar, pois entre a palavra de um aluno e de um professor, o professor sempre ganha’”.

Xuxa (Foto: Divulgação)

Xuxa (Foto: Divulgação)

Em seguida, Xuxa conta os abusos que sofreu de um namorado da sua avó, um homem chamado Ubirajara, na mesma época. “Às vezes ele tomava banho e deixava a porta aberta. O barulho que minha vó fazia enquanto cozinhava ou costurava o deixava livre para vir até a porta se tocar me olhando. Eu não entendia por que ele fazia isso e nunca perguntei nada. Então ele começou a tocar meus futuros peitos – sim ainda não tinha nada a não ser um mamilo um pouco maior. Uma vez vendo TV, ele acariciou meu cabelo, o cheirou e logo depois desceu a mão para os meus (quase) seios e os apertou. Doeu e eu o fiz parar, e ele disse que era só um carinho e que só o ‘vovô’ podia fazer porque me amava como neta”.

No fim, a mãe de Xuxa conseguiu convencer a avó a não se casar com o homem, mas a apresentadora conta que nunca relatou os abusos. “Meus irmãos foram contra e eu fui a favor da minha mãe. Eu disse que se minha mãe não queria e não gostava, eu também não queria e não gostava. Foi o máximo que eu fiz pra protestar o que vivi dos meus 10 aos 11 anos”.

Ainda na mesma época, Xuxa sofreu abusos do melhor amigo do pai, um homem que ela tratava como “padrinho”. Esses episódios sãos os mesmos que ela já relatou no Fantástico, quando começou a tratar publicamente do assunto. “Me calei até os quase 50 anos, quando resolvi falar no Fantástico, pois queria divulgar o disque denúncia, o Disque 100. Queria alertar as pessoas. Nós geralmente não queremos falar, porque é feio, porque não é certo, porque aprendemos que sempre tem que ter um culpado numa situação como essa. E é claro que nos sentimos culpados – eu me sentia culpada apenas por existir”, afirma.

Todos esses acontecimentos deixaram marcas na apresentadora até hoje. “Passei por várias situações que me fizeram ter mania de limpeza. Tomo de 3 a 4 banhos por dia, tenho vontade de estar com crianças pois elas não me fariam nenhum mal – isso é coisa de adulto. Hoje, quero emprestar minha voz em campanhas paras crianças que não falam, não gritam e choram sozinhas. Eu preciso fazer isso por elas, já que não fiz por mim”, completa.

 

Fonte:Op9

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