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Maranhão poderá receber Força Nacional após mortes de índios

A ação criminosa terminou com a morte dos caciques Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara.

A Polícia Federal assumiu as investigações após a morte de dois índios no último sábado (7), entre as aldeias Boa Vista e El Betel, às margens da BR-226. O Ministério da Justiça e Segurança Pública está estudando a possibilidade de enviar a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) à região. O atentado aconteceu pouco mais de um mês depois de um confronto que deixou um indígena e um madeireiro mortos em Bom Jesus das Selvas.

Raimundo Guajajara morreu durante o ataque a índios em Jenipapo dos Vieiras no Maranhão — Foto: Divulgação/Apib

Em suas redes sociais, o ministro da Justiça Sérgio Moro, anunciou que já enviou à reserva indígena uma equipe da PF, que investigará o crime, para elucidá-lo e identificar os autores do ataque. “Lamento o atentado, ocorrido hoje no Maranhão, que terminou com dois índios guajajaras mortos e outros feridos. Assim que soube dos tiros, a Funai foi até a aldeia tomar providências, junto com as autoridades do governo do Maranhão. A Polícia Federal já enviou uma equipe ao local e irá investigar o crime e a sua motivação”, disse ele.

Antes de a Polícia Federal chegar ao local, as polícias Civil e Militar fizeram buscas pela área e regiões próximas, mas até o momento ninguém foi preso. A ação criminosa terminou com a morte dos caciques Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara. Outros dois índios ficaram feridos, entre eles Nelsi Guajajara.

Segundo a Funai, os índios foram atacados logo depois de saírem da aldeia Coquinho, onde lideranças de várias aldeias da região participavam de uma reunião com representantes da Eletronorte, para tratar da compensação aos índios pela passagem do linhão de energia elétrica dentro das terras indígenas.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), se manifestou por meio de uma rede social e disse que as forças estaduais vão auxiliar as autoridades federais no caso.

“Minha solidariedade às vítimas de violência contra povos indígenas. As equipes estaduais de segurança estão colaborando com as autoridades federais competentes para questões indígenas. Policiais civis já em atuação”, escreveu o governador.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB no Maranhão, Rafael Silva, diz que o órgão está preocupado com o ataque que aconteceu um mês após o assassinato do líder indígena Paulo Paulino Guajajara.

“O que nos preocupa é que nós temos políticas públicas a nível federal que são tomadas que estão agravando essa situação de vulnerabilidade da existência dos povos indígenas e da permanência em suas terras. Quando o estado passa a ser um espaço de ameaça aos povos indígenas então estamos diante de uma situação que chega perto do terror. É uma situação grave e que não pode ficar apenas na esfera estadual. É necessário que a Polícia Federal atue de uma forma contundente, estamos a pouco mais de um mês de outro assassinato brutal e esse também há, evidentemente indícios que seja um crime de encomenda”, disse Rafael Silva.

 

 

Fonte:Centraldenoticias

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