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Ibaneis veta projeto que criava Praça Marielle Franco em Brasília

Ponto escolhido para homenagem fica no Setor Comercial Sul. Governador afirmou que 'não há relação entre nome da vereadora e o Distrito Federal'.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) vetou o projeto que cria a Praça Marielle Franco em Brasília. A medida foi publicada em uma edição extra do Diário da Câmara Legislativa desta quarta-feira (22). Segundo o governador, não há interesse público na criação da praça.

Marielle Franco foi morta junto com o motorista Anderson Gomes numa emboscada no dia 14 de março de 2018. Quase um ano depois, dois suspeitos do crime foram detidos, um policial militar e um ex-PM.

O projeto que criava a homenagem foi aprovado pelos deputados distritais em novembro do ano passado. De acordo com o texto, o ponto escolhido para representar a vereadora do PSOL – assassinada no Rio de Janeiro em 2018 – fica no Setor Comercial Sul, na área central da capital federal.

Pela justificativa do governador, “não há relação entre o nome da vereadora e o Distrito Federal”. Ainda de acordo com Ibaneis, “a tradição é homenagear pessoas que tenham servido diretamente à comunidade do DF”.

Sessão plenária na Câmara Legislativa do Distrito Federal  — Foto: Carlos Gandra/CLDF
Sessão plenária na Câmara Legislativa do Distrito Federal — Foto: Carlos Gandra/CLDF

Reação

Autor do projeto, o deputado distrital Fábio Félix (PSOL) disse que vai trabalhar para derrubar o veto. Segundo o parlamentar, foram seguidos todos os trâmites da aprovação – incluindo duas audiências públicas para debater o assunto.

Como argumento, o deputado diz que há outras praças em homenagens a personalidade de fora do DF, como a Praça Zumbi dos Palmares ou a do cantor Leandro – que fazia dupla com o sertanejo Leonardo.

“O veto é simplesmente negar reconhecimento à dimensão que tomou o legado da vereadora Marielle Franco. Um triste gesto para agradar quem persegue defensores de direitos humanos e despreza as garantias democráticas.”

Intervenção em placa da Ponte Costa e Silva; sinalização foi adesivada com nome de Marielle Franco — Foto: Movimento de Mulheres Olga Benario/Divulgação
Intervenção em placa da Ponte Costa e Silva; sinalização foi adesivada com nome de Marielle Franco — Foto: Movimento de Mulheres Olga Benario/Divulgação

Veto

Um veto do governador pode ser derrubado pelos distritais. Para isso, é necessária aprovação de maioria absoluta da Câmara. Ou seja, 13 votos – metade de todos os 24 deputados, mais um.

Em último caso, o governo pode entrar com ação na Justiça para barrar definitivamente um projeto “ressuscitado” pelos deputados.

Homenagens

Após o assassinato de Marielle Franco, diversas homenagens à vereadora foram feitas pelo mundo. Uma delas é a inauguração de um jardim de 2,6 mil m² em Paris. Em Tel Aviv, uma rua leva o nome dela.

Manifestante segura placa com nome da rua Marielle Franco em ato na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília — Foto: Nicole Angel/ G1
Manifestante segura placa com nome da rua Marielle Franco em ato na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília — Foto: Nicole Angel/ G1

Em outubro do ano passado, um grupo protestou em Brasília perguntando “quem mandou matar Marielle Franco”. Com cartazes e uma placa com o nome de Marielle, os manifestantes diziam querer respostas sobre o crime.

 

Fonte:G1

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